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MORALIDADE E TRANSPARÊNCIA

Quando a finalidade da assembleia de acionistas da companhia é a prestação de contas da administração, a moralidade e a transparência assumem o contorno de protagonista, num enredo em que o público é convocado a endossar os termos dos relatórios. O cenário se repete na prestação de contas do condomínio, da gestão do administrador público, no julgamento e decisão sobre as licitações, etc.

A contabilidade nos aproxima do conceito da prestação de contas. Aqui um cuidado especial: a prestação de contas não deve ser feita à semelhança da disputa de uma partida de xadrez. Este jogo assume a complexidade de um quebra-cabeça, enquanto a prestação de contas deve ser simples e objetiva, capaz de ser facilmente entendida pelos leitores dos relatórios. Contas bem planejadas ostentam a marca da autenticidade e da transparência, com foco na clareza dos registros e na credibilidade das transações.

A falta de transparência nas contas ocorre por decisão do dirigente ou por imperícia do contador. Ambas as vertentes se mesclam, quando os dois agentes são solidariamente responsáveis pelos relatórios. Sonegação de informações e simulação de operações são ingredientes usados na construção da imoralidade.

A democracia resiste à banalização do preceito da divulgação. Há quase um século o ex-juiz da Suprema Corte dos EUA, Louis Brandeis, afirmou: “o melhor desinfetante é a luz do sol”. A qualidade da prestação de contas é medida pelo grau de transparência comprovado, habilitando a entidade a capitalizar reputação e a imputar credibilidade à administração.

“A corrupção tem medo da luz”, diz um refrão que se mantém atual. Os problemas nacionais têm origem na educação. É oportuno ressaltar: no ensino da contabilidade considere inerente incutir na mente dos alunos a relevância dos controles e a responsabilidade dos valores. Conquistaremos o futuro que hoje arquitetamos. Contando com jovens afeitos ao decoro e à transparência na lida com o dinheiro público, é certo que teremos um futuro com menos corrupção e com menos escândalos.

NATÓLIO DE SOUZA – Diretor da SELECTA AUDITORES e Professor Coordenador de Ciências Contábeis da UNIVILLE